Uma manhã de outono

 Amanheci antes de despertar

O nublado dia invadiu meu ser

E as palavras não puderam raiar

 

A ausência do sol me deu o emudecer

Ao menos da boca pra fora as palavras não saíram – elas quase nunca saem desse jeito

Revoltos estavam vidas-palavras-vivas dentro do mar eu

 

Minhas palavras em águas todas só faziam subir

 

A lua que não se via comandava minhas marés

As mulheres todas que na tarde passada assisti

Invadiram esta manhã minha de maneira mais profunda do que a ascendência que pulsa-corre-perpetua em nossas veias  

 

O vento não veio abraçar meu corpo-ser

Nem tão pouco soprar suas canções aos meus ouvidos

Nem mesmo seu beijo gelado passou por meu rosto

 

O nublado dia amanheceu

 

O anseio profundo eram tantos

Tão singulares em um diverso conjunto

Que o plural não alcançava com a soma final da letra “esse” e o tempo verbal não se definia

 

Desejo maior era raiar em algum momento

Ainda que na noite nublada daquele dia

A aurora viesse  

You Might Also Like

0 comentários