Meus olhos permanecem encantados pela natureza
A amargura que pesa um tanto no meu peito
Transborda com a dureza das palavras
Ora escrita, ora falada
Constantemente pensada!
Cabe em meu ser o encanto que me fita os olhos:
A nuvem passando, a estrela brilhando, as águas
banhando
As crianças dançando e os invisíveis cantando.
Pode acontecer do
vento
soprar na esquina da palavra dita
No cruzamento com a avenida da hora não adequada
Levar pro peito o choro que abafou dentro e separou a casa
sorriso.
Pode acontecer
do fogo
trazer a clamada camomila e remanescer
Antes que a aurora da lua amanheça com o sol da noite
E as estrelas das águas brotem ao renascer.
E, depois de tecer os versos, sentir o desfile sonoro
Daquele movimento surdo que arregaçava o peito.
E penso: haverá tempo de mostrar o tanto de vidas guardadas?
Dentre os latentes anseios pergunto:
- Terei tempo de ter contigo seu tempo junto ao meu?
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