Haver com tudo-Ver com nada

Como uma coisa não tem nada a ver com a outra

A outra não tem nada a ver com nada

E nada viu

E nada via

Nem vinha

Nem ia

 

Futuro-presente

Passado

Amanhã é o hoje do dia que em sol virá

Quiça!

Se a lua deixar,

Pode ser que a estrela veja no espelho o brilho

Se as ondas do mar descansar o reflexo será garantido

O céu não garante – resmungou de lá!

Quem pode com as águas é a ave que nada

E quem pode com o céu é o peixe que voa

 

Assim falou a menina

Que na infância não enxergava as flores daquela árvore lá longe

Que a ponta do dedo da menina maior lhe mostrava

Só via a parede rebocada de cinza cimento

E agora de grande arquiteta construir

 

Como tudo tem a ver com tudo

Findo este poema por haver o nada

 

Nadas em ventos as folhas das nuvens,

As flores de asas,

As pétalas no contrafluxo permanecem intactas   

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