Parcimônia palavresca

Tudo bem. Tenho poupado revelar-me através de palavras sonoras sensações minha, os sentires meus. Tenho estado em iminência, a própria lua cheia sem órbita em suas fases, perambulante. Dentro do peito o vulcão. Lembro da força sentida no Tlaloc, a sua volta tudo é mais forte, tudo foi mais forte. Dentro de mim habita os talhos dos cerceamentos que se avançam sobre mim, a carne aberta por cortes. Desesperadamente eu demonstro tranquilidade. Dentro de mim, uma gira de ceramistas parecem trabalhar sobre o terreno movediço, calmamente movem as mãos sobre dores reprimidas e espremidas. Cada movimento vai esculpindo em incontável tempo aquilo que modela. Um baile inaudível. Agora me cabe assistir? É como se possível seja, possível fosse. De fora virar-me de frente, pra dentro estando fora, sentada no apoty, com a mão esquerda abaixo do queixo, segurando o que ainda não vi. Poupar as palavras tem sido refúgio, quiçá, tenha vindo no rastro da fuga de outrora. Sem aurora? Passado é presente por dentro e por fora!  Marés inteiras revoltas me afogam em pensamentos. Dilacerado peito, dilacerando vejo. Boca fechada, palavra dentro!

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