Aparência e Desengano

Aparência é a formosura em pessoa! 

De um brilho estonteante, holofote poderia ser seu sobrenome. 

Dizem que atravessam séculos as histórias sobre as pessoas que recebem esse nome e fazem acontecer!

Também é sabido, que no recôndito d'alma desses batismos, há um campo fora da visão. 

Um buraco apertado de entrar, amplo em existência e grande demais para em um único canto se encolher com a solidão! 

Espremida nesse canto, resguardada dentro de si. 

Palavra calada, choro entupido, joelho no peito e mãos nos cambitos! 

Desengano, sempre a espreita, observa tudo! Tudo ver!

Tudo que desapercebido passa nas vistas alheias, se iludem só com o brilho e nada além ver! 

Desengano aperta o olho esquerdo e garante que o aumento da vista do direito é direito, por direito e de direito! E certeiramente ver! 

Desengano não se engana! 

Sempre que pode, convida Aparência, esteja ela vestida, esteja ela escondida. 

Desengano oferta a mão esquerda e abraça pela direita! 

E quando a música do céu noturno começa a sonar seu elo com o mar,

direita e esquerda não há! 

Tudo é circular, ar, há! 

Há ar a bailar, cir-cu-lar! 

Há! 

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