Eu gosto de me ouvir. Essa afirmação pode ser interpretada de muitas formas. No momento em que estava grafando no papel foi que percebi. Em primeiro momento, a frase em seu momento de gestação estava sendo pensada no sentido imediato que a mesma transmite, ou, do que eu pensava naquele momento. Afirmava pra mim que gosto da sensação de escutar meus pensamentos e minhas percepções das situações. Sinto prazer em perceber a magnitude de como arrumo as palavras (raríssimos são os momentos em que sinto o contrário disso). Ao passo em que finalizava o pensamento transcrito, senti que em outra conotação, a frase não fazia sentido. Neste momento em que recém cheguei aos 33, considerando uma parte do final dos 32, a sensação é de que não tenho acessado a minha escuta interior, é como se eu já não me encontrasse internamente, e essa sensação é péssima! A soma destes anos trouxeram fugas acumuladas. E no momento me sinto encurralada. Aqui não é possível delimitar espaço. Embora as margens da folha coloquem limites. Limites? Até que ponto ele existe? Agora é março, eu penso a anos atrás. O passado está plasmado no presente e provavelmente será reverberado no futuro, se ele existir! Isto pode não ser uma carta de despedida. Ao menos não a escrevo com esse intuito. Ou quiçá escreva sem saber. Faz tempo que não me escuto! As fugas recorrentes me deixaram como um corpo na correnteza do mar. Ou do rio. Ou quem sabe do ar! Neste tempo espaço meu corpo está em Mauá. Agosto. Sem burlas com este mês, como dizem os mais velhos: "agosto é um mês muito fino" e com algumas coisas eu não arrisco brincar. Que mal há estar em Mauá? Quem sabe o amanhã me dirá? Fevereiro na Bahia fui banhar! O sal das águas salgadas da minha terra me chamavam pro fundo do mar. Era lá que eu gostaria de estar. Eu me vi no fundo do mar. Sentada com as pernas encolhidas e seguradas pelos meus braços como quem desejava ancorar. Ali, no fundo do mar era onde eu gostaria de estar. Eu só desejava me ancorar. Ali. No fundo do mar! Nas margens as ondas quebravam e meu dindo nos braços dizia: “tá ferida”! Somente ele sentia um incômodo que eu e a mãe dele não enxergava naquele pequeno pezinho onde o dedinho indicador apontava a nos mostrar. O sal faz lembrar! O mar responde até o que não sabemos perguntar. Março em Foz do Iguaçu tentei retornar. A natureza potente daquele lugar. O compromisso com a música foi a passagem pra voltar. Cheguei em casa! Nossa!? Como posso isso afirmar? Que sensação é essa que a casa, a pessoa que ali dividia a vida, e como acomodava as coisas naquele lugar, naquela terra em que beirava os 3 anos me fazia ecoar: cheguei em casa! Na minha boca verbalizava que Salvador era meu porto pra ancorar, por mais que no mundo eu possa rodar. E agora eu já não sei em que endereço vou me encontrar! Ou talvez pousar. Ou quem sabe, repousar! Mas voltando pro começo, torno a repetir: eu gosto de me escutar!
Sabedoria, sussurra no meu ouvido!? Tenho sede de lhe escutar!
0 comentários