Herança

O pote de mel era o ouro da casa. Por ser ouro, era riqueza.
E por ser riqueza, era nobre seu compartilhar.
Quando nasceu a menina, sua avó assim lhe disse: 
- “Tem que saber cuidar! Você me entende? Tem que saber cuidar!” 
Passaram-se luas, águas, chuvas, ventos. 
O sol se pôs e nasceu a cada giro, mas as palavras ficaram.
A menina cresceu. E o seu olhar sobre o pote era de muita atenção.
Havia tanta atenção, que para os da casa, às vezes parecia medo.
Mas só parecia. Porque certeza não existia. 
Como agir com o ouro da casa?
Mexia e virava a reflexão na cabeça da menina passeava.
Mas, assim como a lua, a menina cada dia era uma.
Sua avó por estas bandas já não caminhava... 
e a menina no pensamento à alimentava.
Bambeia pra lá e o mel ‘gotejo’!
Ai, ai, ai... Deixarei você quietinho, gotejou quando menos esperava!
Deixava o ouro num canto e saia com o vento, se encantava com a água e cantava com o tempo!
Ah, menina! Mas na cabeça o mel levava e no sorriso o mel trazia.
Mas nos seus olhos, nos olhos d’água o mel escorria.

You Might Also Like

0 comentários